Lula na Alemanha: Muita Retórica e Show
Offenbach/Alemanha, 21.04.2026. Lula é hábil na retórica. Sempre inventa uma nova narrativa quando as antigas já não convencem mais. Desde a década de 1980, na minha visão, ele ilude grande parte dos brasileiros. Eu mesmo fui um dos que acreditaram em seu discurso até o Lula I. Com o tempo, passei a enxergá-lo como alguém que, em vez de fortalecer o Brasil e os brasileiros, contribui para o nosso enfraquecimento e o fortalecimento de uma minoria.
A Alemanha buscará, como sempre buscou, o ressurgimento e a preservação de seu poder econômico e industrial. Nesse contexto, o mercado brasileiro tende mais uma vez a servir aos interesses de empresas e de profissionais alemães altamente qualificados, enquanto os brasileiros permanecem relegados às posições de menor valor. Nas empresas alemãs das décadas de 1960, 1970 e 1980, muitos brasileiros eram vistos apenas como mão de obra de chão de fábrica. E a culpa disso não é da Alemanha. Um país que não investe em seus próprios cidadãos, que entrega sua soberania econômica e intelectual, não pode culpar apenas quem chega para explorar suas fragilidades. O capitalismo selvagem funciona exatamente assim.
Lula, para mim, representa essa contradição. Fala muito, promete muito, mas não demonstra coerência entre o discurso e a prática. Propaga valores europeus sem se preocupar em consolidar valores genuinamente brasileiros. Chegou ao poder enchendo nossos corações de esperança, com promessas de justiça, dignidade e combate à corrupção. Mas, ao longo de seus governos, o que vi foi a distribuição de paliativos sociais que aliviaram a miséria sem libertar o povo da dependência. Ele então criou um discurso de superação da pobreza extrema, mas sem o investimento estrutural necessário para empoderar a população por meio de educação de qualidade, formação sólida e competitividade real.
Na minha avaliação, durante seus 12 anos de governos – e também no período de Dilma – a corrupção se fortaleceu, enquanto as elites dos três poderes permaneceram protegidas e enriquecidas – Lula e sua família enriqueceram nessa onda de trabalhar para gerar um país mais justo (?!). Já a maioria dos brasileiros continuou sendo mantida sob dependência, sustentada por benefícios que não transformam de fato sua condição. O povo recebeu assistência; as elites preservaram e fortaleceram poder e privilégios.
A imprensa da Alemanha – no máximo – vai publicar o que ele quer. Mas ela não é tola de ajudar o gigante brasileiro a se fortalecer. Acreditar que a Alemanha ajudará espontaneamente o Brasil a se desenvolver é, para mim, tão ingênuo quanto imaginar que a entrada de uma raposa no galinheiro melhorará a vida das galinhas. Basta conhecer a história das relações econômicas entre Alemanha e Brasil, especialmente após 1949, com a criação da República Federal da Alemanha, para perceber que nenhum país forte age movido por altruísmo quando seus próprios interesses estão em jogo.
Na minha visão, Lula atua como agente político da reinserção das empresas alemãs no mercado brasileiro nos termos que mais interessam à Alemanha. Tudo indica que ele buscará apoio de governos e elites europeias ao se apresentar como peça útil para a preservação da influência do continente no cenário internacional. Não me surpreenderia vê-lo, adiante, cercado de elogios e reconhecimento simbólico por contribuir para a manutenção da imagem europeia como suposta “guardiã da justiça” no mundo — com a Alemanha ocupando posição central nessa liderança imaginada.
Jamais apoiarei qualquer relação em que a Alemanha explore o Brasil, como entendo que ocorreu em períodos marcados por forte assimetria econômica e política, inclusive durante a ditadura militar. Da mesma forma, jamais defenderei que o Brasil enfraqueça ou explore a Alemanha. Sou cidadão dos dois países e, justamente por isso, vejo com ainda mais clareza que essa relação histórica precisa ser revista, corrigida e reequilibrada.
O que defendo não é a hostilidade entre Brasil e Alemanha, mas uma relação fundada no respeito mútuo, na reciprocidade e na justiça. A cooperação entre os dois países só terá legitimidade se servir ao fortalecimento real de seus povos, e não à submissão de um deles aos interesses econômicos e estratégicos do outro, com tudo o que isso pode gerar de corrupção e degradação institucional.
Por isso, o verdadeiro desafio não é romper essa relação, mas consertá-la. É preciso substituir a lógica da dependência por uma lógica de equilíbrio, dignidade e soberania. Só assim Brasil e Alemanha poderão construir um vínculo historicamente mais honesto e politicamente mais justo.
Se a reforma não vier da base, as elites jamais usarão os recursos do Brasil para empoderar os brasileiros de acordo com o verdadeiro potencial do país. É por isso que precisamos de uma medida urgente, capaz de promover uma guinada histórica, colocar o Brasil em pé de igualdade e forçar nossas elites a investir de fato na população. Só assim poderemos ocupar o lugar que corresponde ao que somos capazes de ser – e não continuar presos ao papel que esses enganadores nos impõem. Ela está publicada aqui:
